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domingo, 17 de junho de 2012

Cantar é Preciso

Cantar é Preciso


Já vai longe o tempo em que as meninas-moças costumavam ter seu caderno de capa dura onde copiavam poesias e pensamentos de amor. Noutro, escreviam as avoengas e tradicionais receitas culinárias. Num terceiro caderno, transcreviam, sempre usando uma caligrafia caprichada, as letras das modas da época, quando o rádio dava seus primeiros passos e a televisão ainda nem pensava existir.

Era no tempo em que as serestas povoavam as noites de Lua. Um violão afinado e uma voz melodiosa, à janela da mulher amada, falavam, romanticamente, de amor. Quando o apaixonado não tinha voz para cantar, convidava um seresteiro de fama para fazer as suas vezes. E, na calada da noite, nas pequenas cidades do interior e nas ruas dos subúrbios das capitais, os namorados enviavam à mulher amada doces mensagens do seu amor, através de valsas dolentes como A Pequenina Cruz do teu Rosário, Patativa, Rosa e também Porta Aberta e O Ébrio, sucessos de Vicente Celestino, Francisco Alves, Orlando Silva, Carlos Galhardo e outros cantores famosos. Quando o rádio e as vitrolas começaram a aparecer, aumentou, ainda mais, o interesse e o gosto das mocinhas pelas modas que passaram a ser tantas e tão bonitas que enchiam cadernos e mais cadernos.

Nos dias em que vivemos, quase ninguém canta mais como antigamente. Em nossa casa, nunca ouvi nenhum dos meus sete filhos cantar. O rádio, a televisão e a fita cassete estão substituindo as pessoas na arte de cantar.

Onde é que estão os cadernos de poesia e de pensamentos? Por que as mocinhas não escrevem mais as gostosas receitas culinárias em seus cadernos de capa dura? E os cadernos de modas, que fim levaram? Onde estão as serestas? Que fim levou o tenor de banheiro, denominação dada a quem costumava cantar enquanto tomava banho?

Diz a sabedoria popular que "Quem canta seus males espanta" , o que não deixa de ser uma verdade porque cantar, chorar e rir são os melhores remédios para os males da alma. É cantando, chorando e rindo que as pessoas lavam a alma, descarregam problemas e motivos outros de tristezas e aborrecimentos.

A violência, o sexo desenfreado, a ansiedade, a luta pela vida, fazem com que a mente das pessoas fique sobrecarregada de hiatos psicológicos. O homem cada vez mais está se divorciando das belezas da natureza. Um pôr de sol, uma criança sem video-game, os pássaros em liberdade, o azul do céu em pleno verão, estão esquecidos agora.

É preciso que os seres humanos fiquem mais humanos e menos materializados. É preciso que contemplem a natureza para que volte a existir a paz interior que morava no coração de todos nós. É preciso que os seres humanos deixem de ser escravos do tempo, da velocidade, da violência, do sexo, coisas que estão mudando o comportamento humano. É preciso cantar. É preciso amar o próximo. É preciso ter fé para que os corações voltem a ter melhores dias, sem enfartes, sem pontes de safena, sem tantas preocupações.

As últimas gerações estão vivendo momentos difíceis, em conseqüência da crise econômica responsável por tantos problemas. A mente dos seres humanos está sobrecarregada de cifrões, de cheques predatados, de cartões de crédito. Os seres humanos estão se transformando em verdadeiras máquinas, correndo atrás do tempo, com pesadelos econômicos. Onde está o tempo em que se davam flores às mulheres? Onde está o tempo em que as pessoas sorriam? A televisão anda cheia de humoristas que, na maioria das vezes, não conseguem fazer ninguém rir, porque a mente de todos está sobrecarregada, bloqueada, escrava do dinheiro.

Vamos cantar, como antigamente. Cantar é preciso.

A importância da nossa voz

A importância da nossa voz


Costumo sempre dizer aos meus alunos de canto sobre a importância da Voz para todo ser humano. Isto vai muito além do canto, que nos é muitíssimo precioso.
Nossas vozes são únicas, exclusivas, legítimas e expressam nossa personalidade, sentimentos e emoções, ideais e crenças. Podemos nos expressar com uma variedade de sons, produzidos por uma única voz. Somos compreendidos, ou até mesmo “descobertos”, pela maneira que falamos, sussurramos, gargalhamos, sendo muito difícil esconder assim, aquilo que estamos sentindo. Nos momentos mais alegres, ou mais difíceis de nossas vidas, também é através da nossa voz que extravasamos, toda esta gama de sentimentos, sensações, prazeres e convicções.
Como se isso tudo não bastasse, através da nossa voz podemos CANTAR! Podemos fazer parte do mundo da música, de forma privilegiada, como protagonistas dos cenários musicais, sendo os únicos instrumentos de música capazes de juntar toda a beleza de uma melodia com a missão de comunicar e expressar com palavras e poesia a letra de uma música.
A significância, o propósito, o sonho, o amor, a revolta, a alegria, o prazer em forma de palavras cantadas, junto com a execução precisa de uma bela melodia, a entonação, com sons fortes, mansos, claros e escuros, leves, sussurrados, alegres, carregados de emoção, fazem da sua voz, ou de você, o maior instrumento musical que já existiu.
É possível cantar sem forçar a voz?


É possível cantar sem forçar a voz?

Devido à ausência de conhecimento do seu próprio aparelho vocal, muitos cantores amadores ou profissionais, cantam de uma maneira forçada, para obterem volume e alcance vocal. E é exatamente isso que prejudica tanto a saúde quanto a estética vocal de um cantor. E este “mau uso” poderá ocasionar alterações muito prejudiciais à voz.
Quando não direcionamos o nosso som para o lugar certo, não alcançamos sua verdadeira sonoridade, ou seja, não utilizamos bem o nosso Ressonador.
Já vimos que o Ressonador é responsável pela estética da nossa voz. Quando ouvimos um som estridente, forçado, ou simplesmente descorado e fraco, podemos afirmar que essa voz não está colocada, ou seja, a saída da voz, a emissão desta voz está mal direcionada. Através de uma boa ressonância, podemos obter volume e amplitude vocal, sem forçar as pregas vocais para isso. Por isso é fundamental para o cantor treinar a voz com foco e ressonância, através de aulas de técnica vocal com um bom professor.
Impostação é o termo usado pelo canto erudito que trata da colocação correta da voz. (Livro 260 dicas para o cantor popular-Clara Sandroni)
Impostar a voz é emiti-la de forma saudável e plena, é atribuir ao som brilho, beleza e amplitude, através de um treinamento vocal consciente e eficiente.
Existem algumas expressões utilizadas popularmente para explicar as sensações de uma voz “impostada”, por exemplos: a sensação de o som sair ou começar pelo céu da boca, de como se estivesse bocejando, ou com um ovo em pé na boca, ou de cantar em direção aos olhos... Dentre outras.
A emissão do som deve ser feita de uma forma mais natural possível, o som deve fluir livremente sem nenhuma obstrução. O cantor precisa treinar a ressonância ideal, e é através deste treino que ele começará a conhecer sua voz, em todos seus aspectos.

Mitos sobre a Voz Cantada

Mitos sobre a Voz Cantada


Mitos sobre a Voz Cantada

A área da voz humana é rica em mitos, devido não somente à natureza artística que a envolve, mas também por ela ser um produto considerado abstrato, quase etéreo, por vezes divino. Esta concepção e o atraso da ciência na compreensão e explicação da produção da voz fizeram com que vários mitos se perpetuassem até nossos dias.



1. Aprender "a respirar e a cantar com o diafragma"

O diafragma, um músculo muito importante na respiração, apresenta forma de guarda-chuva aberto e separa o pulmão da cavidade abdominal. Na inspiração o diafragma se retifica com a entrada do ar e massageia as vísceras, porém não se respira com e nem pelo diafragma e também não se canta pelo mesmo.

Na verdade o que o aluno de canto aprende é controlar melhor o fluxo de ar que sai dos pulmões em direção à laringe e às pregas vocais.

2. "Nunca respirar pela boca"

A cavidade nasal é a entrada preferencial do ar para dentro do corpo. No nariz, o ar é purificado, aquecido e umidecido, usando nesta tarefa, uma série de cílios (pêlos) e reentrâncias (coanas) por onde o ar passa em redemoinhos. Por outro lado, a respiração bucal é mais rápida e direciona maior quantidade para dentro dos pulmões num tempo mais curto, já que o trajeto a ser percorrido é menor e a porta de entrada maior. Assim sendo, durante o canto ou a conversa em frases rápidas, é impraticável respirar apenas pelo nariz, o que nos leva à respiração buco-nasais, com entradas bucais nas emissões que se sucedem rapidamente e entradas nasais nas pausas longas.


3. "Não usar falsete, pois é uma voz falsa e faz mal. Além disso, mulheres não têm falsete".

Falsete é o modo de se emitir a voz. Esse conceito está associado à noção de registros vocais. Em relação à voz, registro refere-se aos diversos modos de se emitir os sons da tessitura. De modo geral reconhece-se a existência de três registros: o basal, o modal e o elevado. O falsete é um dos sub-registros que compõe o registro elevado, que é o das notas mais agudas da tessitura. Este nome não quer dizer que a voz soe falsa ou que seja produzida por outras estruturas que não as pregas vocais. Falsete vem de falsa voz feminina, pois alguns homens cantavam em falsete na idade média, quando não se permitia que as mulheres participassem de coros religiosos. Na emissão em falsete as pregas vocais estão alongadas, porém com pouca tensão. A mudança para o falsete corresponde a uma necessidade fisiológica de se prosseguir numa escala musical em ascendente.

4. "Não apresentar zonas de passagem de registr"o

Existem regiões intermediárias entre os registros vocais, quer seja entre o basal e o modal, ou entre o modal e o elevado nas quais ocorrem as principais mudanças nas ações musculares. Essas regiões são conhecidas como zonas ou notas de passagem. Alguns cantores não mostram suas notas de passagem, enquanto outros apresentam verdadeiras quebras de sonoridade entre a última nota de um registro e a primeira nota do registro seguinte. Na verdade, a mudança entre os ajustes musculares sempre ocorre, o que varia é o quanto ela é evidente ou não para o ouvinte.

5. "Gargarejar com uísque ou similares antes dos ensaios e apresentações"

Alguns cantores têm o hábito de gargarejar bebidas alcoólicas ou até mesmo de tomar uma dose para “esquentar” a voz antes de ensaios ou apresentações. Essas pessoas geralmente referem que fica mais fácil cantar sob o efeito do álcool. A ação imediata do álcool sobre as paredes da boca e da faringe é o de uma anestesia temporária, o que significa que as sensações nessa região ficam reduzidas. Assim, todo o esforço que se pode estar fazendo para cantar não é percebido e o cantor pode erroneamente acreditar que está cantando melhor. Além disso, o efeito do álcool sobre o sistema nervoso nos deixa mais desinibidos, mais soltos e, portanto, o medo de uma apresentação pode diminuir. Contudo, a partir de uma segunda dose (ou até mesmo da primeira, em pessoas mais sensíveis) pode-se perder o controle fino da afinação e do volume de voz, produzindo-se também uma articulação pouco precisa e com desvios nos sons da fala. A qualidade vocal fica pastosa, comprometida para o canto. Um outro fator importante é o edema (inchaço) nas pregas vocais causado pela ingestão de várias doses de bebida, principalmente destiladas.

6. "Usar sprays"

Medicações em forma de spray devem ser usadas apenas quando prescritas pelo médico e em casos específicos, como por exemplo, de inflamações das vias aéreas, situações onde se deve evitar o uso da voz cantada. Cantar quando não se está em condições de saúde vocal pode ser muito arriscado e corre-se um alto risco de se produzir lesões no aparelho fonador, incluindo edema e disfonias hemorrágicas das pregas vocais. Tais fórmulas em spray geralmente incluem um componente analgésico e anestésico que atua como o álcool sobre as paredes da boca e da faringe. Tais preparados, por serem apresentados em forma de aerosol, chegam a atingir a laringe e os pulmões, podendo reduzir as próprias sensações da laringe e da árvore respiratória, o que prejudica ainda mais o canto.

7. "Chupar pastilhas para limpar a voz e a garganta"

As pastilhas quando possuem o componente anestésico, apresentam os mesmo inconvenientes causados pelo uso de spray. Quando há presença elevada de cítricos (limão ou laranja), ou ainda em versão dietética, pode haver ressecamento do trato vocal e portanto devem ser evitadas.

8. "Mastigar gengibre"

Embora muito usado no meio do canto popular e no teatro, não existe nenhum estudo científico sobre sua eficácia. Do mesmo modo, não há estudos controlados sobre os componentes e os efeitos da própolis, porém, parece haver ação antiinflamatória e lubrificante da boca e da faringe.

9." Tomar mel com limão e similares"

A combinação de mel e limão ou vinagre e sal é muito utilizada, contudo devem ser evitadas. O mel, consumido de modo isolado, é um lubrificante das caixas de ressonância superiores, a faringe e a boca, mas o limão, o vinagre e o sal ressecam as mucosas, e não devem ser usados com objetivos vocais.



Caso deseje experimentar as receitas caseiras que lhe são sugeridas, procure verificar, de modo crítico, quais os efeitos produzidos em seu aparelho fonador e em sua voz; porém, não faça tais testes antes das apresentações, a fim de evitar surpresas desagradáveis.

Extraído do site CEV- http://www.cevfono.com/51/1629.html