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segunda-feira, 25 de maio de 2009

A Classificação das Vozes no Canto Lírico:

O Baixo Superprofundo


A classificação das vozes no canto lírico é matéria em torno da qual há muita controvérsia. De forma bastante simples, poderíamos classificá-las em 4 categorias básicas: baixo, barítono, tenor, e soprano, e tudo seria muito fácil se fosse só assim.Entretanto, há na voz humana uma grande quantidade de características e especificidades a serem consideradas (o que faz com que não haja duas vozes exatamente iguais, ainda que consideradas como da mesma categoria), o timbre, a extensão, a flexibilidade, a potência de emissão, a impostação, etc., são características que tornam as quatro categorias bem mais complexas.Os compositores escrevem suas obras dentro de certos padrões, atribuindo a execução de cada parte da partitura aos instrumentos (ou naipes de instrumentos) mais adequados para interpretá-la. Os instrumentos, portanto, têm seu “papel” específico na partitura, sua área de execução mais confortável e apropriada à sua tessitura. O mesmo acontece com a parte cantada de uma partitura, cada tipo de voz é o “instrumento” mais adequado para a execução dos trechos destinados ao canto.Temos ainda que considerar que além da tessitura do instrumento (ou voz) ter que ser adequada ao tom da música, é preciso que ele permita a agilidade necessária para sua execução. Paganini, por exemplo, jamais escreveria o “Moto Perpétuo” para ser executado por um instrumento de sopro, muito menos para canto, devido à velocidade de execução da peça e à inexistência de intervalos de tempo que permitam ao executante respirar. É bem verdade que alguns artistas conseguiram a façanha de adaptar o estilo do “moto” a instrumento de sopro, como o nosso grande Altamiro Carrilho (na peça A Galope), mas creio que utilizando o recurso de gravação e estúdio. Finalmente, de acordo com as qualidades específicas necessárias para a interpretação da música, poderíamos fazer a seguinte classificação, partindo da voz mais grave para a mais aguda.

1) CATEGORIA DOS BAIXOS

- Baixo Superprofundo
- Baixo Profundo
- Baixo Cantante
- Baixo Coloratura Brilhante

2) CATEGORIA DOS BARÍTONOS

- Barítono
- Barítono Dramático
- Barítono Lírico
- Barítono Ligeiro

3) CATEGORIA DOS TENORES

- Tenor Dramático
- Tenor Lírico
- Tenor Lírico Ligeiro
- Tenor Ligeiro
- Contratenor

4) CATEGORIA DOS SOPRANOS

- Mezzo Soprano Dramático
- Mezzo Soprano Lírico
- Soprano Dramático
- Soprano Lírico
- Soprano Ligeiro
- Soprano Lírico Ligeiro (Coloratura)

Bem, para não cansar os raros leitores (muito menos os pouquíssimos ouvintes) desta página, vamos exemplificar, gradativamente, os diferentes tipos de vozes. Comecemos com o Baixo Superprofundo.O Baixo Superprofundo é o timbre mais grave masculino, com um registro raríssimo, que abarca cerca de duas oitavas abaixo da média, alcançando notas muito graves. É uma continuação do baixo profundo com um registro mais grave e mais extenso.Desconheço repertório operístico para esse tipo de voz. Geralmente os baixos superprofundos dedicam-se a interpretar canções escritas ou adaptadas para sua tessitura vocal.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O canto lírico

O canto lírico


Está ficando cada vez mais comum encontrar em fóruns e mesmo entre pessoas que eu conheço uma confusão entre “canto lírico” e a maneira de cantar utilizada pelas vocalistas de algumas bandas de heavy metal como Nightwish, Epica etc. Não estou querendo dizer com isso que uma coisa é melhor do que a outra, mas existem diferenças e pretendo falar um pouco sobre elas aqui!
Definições são sempre complicadas de fazer e passíveis de questionamentos. É muito díficil reduzir vários conceitos em uma simples definição, mas podemos tentar.Como definir então “canto lírico”? O “canto lírico” é um conjunto de técnicas vocais e respiratórias que são estudadas juntamente com tópicos de anatomia, teoria musical e percepção. Esses conhecimentos são aplicados em um repertório erudito que também exige estudo de interpretação e de diversas linguas. Esse repertório erudito não está restrito as óperas, como muita gente também pensa, existem diversas “escolas” e estilos de canto lírico.


Vamos falar um pouco agora sobre as vocalistas de bandas de heavy metal como Nightwish, Epica etc. Geralmente são pessoas que estudam alguma técnica vocal e tem a voz empostada, levam algumas influências da música erudita para seu repertório, mas isso não quer dizer que são cantoras líricas.A questão de projeção e volume nessas cantoras é bem menos trabalhada pois elas tem o suporte do microfone, que é raramente utilizado no meio erudito.A própria Tarja em uma entrevista esclarece algumas dessas questões, ela estudou canto lírico, mas diz que o que fazia no Nightwish era diferente, ela usava algumas técnicas e conhecimentos do canto lírico e adaptava a realidade e ao estilo do heavy metal.
Eu também, de uma maneira diferente da Tarja (kkkkkk), participo dessas duas realidades e posso dividir um pouco da minha experiência. Estudo canto lírico a 5 anos e tenho uma banda de heavy metal. Com certeza eu aplico algumas coisas que eu aprendo nas aulas de canto na minha banda, mas de uma maneira diferente, uso vários conceitos básicos da técnica vocal que estudo da maneira que minha voz fique “colocada”, empostada e que não sofra danos com o decorrer do tempo. Aplico esses conhecimentos ao estilo do heavy metal , pois não tem como eu cantar na banda do mesmo jeito que cantaria a ária de uma ópera por exemplo. A música erudita, no geral, exige mais de mim principalmente no que diz respeito a esforço físico, respiração e potência vocal, também exige uma colocação vocal muito diferente.